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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

'Internet, a grande lata do lixo'

Guns N' Roses: "Internet, a grande lata do lixo", por Axl Rose



Em 2001, vocalista do Guns N’ Roses deixava de lado a Internet e ‘previu’ onda de haters

Em meio àquele histórico e emotivo discurso no dia 14 de janeiro de 2001, durante show na 3ª edição do ROCK IN RIO, Axl Rose trouxe palavras a respeito da Internet que hoje podem ser analisadas como ‘proféticas’. O segundo show de retorno do GUNS N’ ROSES, marcando a primeira aparição pública do frontman após 7 anos de reclusão, teve de tudo um pouco: desde a apresentação de músicos e músicas novas ao público, até o emocionante discurso em que revelou ao mundo a assistente pessoal brasileira Beta Lebeis, passando por considerações críticas acerca da World Wide Web (Rede Mundial de Computadores), em um tempo em que ela ainda não era repleta de redes sociais e sem a disseminação de ódios.

Na verdade, aquele show de 2001 era o de retorno oficial do GUNS N’ ROSES, cercado de expectativas do público e da imprensa especializada, para saber qual formação o vocalista e único remanescente da fase clássica traria após as saídas de Slash, Duff McKagan, Matt Sorum e Gilby Clarke, pós-turnê dos álbuns Use Your Illusion 1 e 2. Claro, sem contar os ‘originais’ Steven Adler e Izzy Stradlin, que já haviam saído do bando.

Ao lado da assistente pessoal Elizabeth Lebeis, que aproveitava a origem tupiniquim para traduzir as falas para o Português, Axl Rose pronunciou palavras em visível estado de emoção. Principalmente como desabafo pelas críticas por ter supostamente “demitido” todos os demais músicos da fase áurea e se tornado o ‘dono único’ da banda, além da importância daquela senhora que muitos viam como uma ‘babá’ de William Bruce Bailey.

Entre uma e outra música, Axl também usou da palavra para mostrar seu descontentamento com a pior faceta da Internet, e que seria elevada à enésima potência com o advento das redes sociais – um pouco o Orkut e principalmente o Facebook: os chamados “haters” (que significa “os que odeiam” ou “odiadores”). “Só fizemos um show antes desse e já fomos criticados por estar tocando as músicas antigas”, relatava à época o vocalista e líder do GUNS N’ ROSES, a respeito de opiniões de críticos musicais e de usuários de Internet.

O músico garantiu aos mais de 200 mil expectadores do show que a banda atual da época conseguia tocar as canções anteriores e que eram “profissionais dedicados”. Muito antes das redes sociais de Mark Zuckerberg, Rose disparou: “Eu costumava entrar na Internet, mas ela parece ser uma grande lata de lixo”. Em seguida, ele citaria em pleno palco o nome que memorizou de alguns de seus detratores pessoais e críticos ferrenhos.

Axl Rose também dedicou àquelas palavras aos que “pensam que sabem o que está acontecendo, mas não fazem a menor ideia”. Ou seja, era a demonstração de insatisfação com críticas desmedidas feitas por pessoas em frente a computadores pessoais e notebooks – na época, ainda não havia smartphones. É algo que tem relação ao que se convenciona chamar de “crítica destrutiva”, que atinge para ‘derrubar’ pessoas e não ajudar a evoluírem.

Tais apreciações feitas pelo sempre ‘antenado’ Axl Rose nos remetem ao que analisou o intelectual italiano Umberto Eco. Segundo o célebre escritor e estudioso, ao mesmo tempo em que democratizou e permitiu a todas as pessoas exercerem a liberdade de expressão plena, a Internet abriu os portões para todo tipo de imbecilidade. Essa crítica, diga-se de passagem, foi mais confirmada com o advento das redes sociais, mais ágeis e de maior engajamento.

“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho (no Brasil seriam copos de cerveja!), sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel”, lamentou Umberto Eco. “O drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”, reforçou.

Sendo assim, as palavras de Axl Rose podem ser vistas como que antecipadoras no meio musical, porque foram proferidas no agora longínquo ano de 2001, período em que a conexão com a Internet era bem mais restrita no país e de certa forma também por todo o mundo. Enfim, não se tinha uma massificação de comentários ofensivos como conhecemos hoje. Logo, não se configurava um mero sinal de atitude rabugenta ou antiquada do cantor.

Aliás, em rara entrevista televisiva concedida em 2016, para a brasileira TV Globo, Axl deu claros indícios de que não faz mais uso costumeiro das redes sociais para fins pessoais. Ao ser indagado pelo competentíssimo repórter Álvaro Pereira Júnior no Programa Fantástico, a respeito de opiniões postadas em redes sociais e atribuídas ao próprio vocalista, sobre mudanças na indústria musical, Axl disse “não se lembrar do que falou”. Até onde se sabe, o vocalista se limita a utilizar uma conta no Twitter, rede social esta que sofre menos com o ‘haterismo’, devido a menor espaço de interatividade proporcionado.

Mas quem conhece a fundo o icônico e controverso cidadão nascido em Lafayette, no Estado de Indiana, sabe que ele poucas vezes foi comedido nas palavras ao lidar com críticas. Seja em outros discursos na época dominante do GUNS N’ ROSES, entre o final dos anos 80 e o início dos 90, ou mesmo em gravações musicais. Um exemplo é a canção “Get In the Ring”, do álbum Use Your Illusion II, de 1991.

O recado é direto em um trecho: “And that goes for all you punks in the press” (“E isso vai para vocês, vagabundos da imprensa”). O ‘apreço’ por críticos musicais teve direito até a citações na letra desta música, como Andy Sercher, da Circus Magazine, Mick Wall, da Kerrang, e Bob Guccione Junior, da Spin. Além de chamar os ‘inimigos’ das revistas musicais para a briga no ringue, Rose os acusou de “explorar” a garotada e “falar mal da banda”.

Enfim, são ilações a respeito de Axl Rose e sua relação com a Internet, que pra ele praticamente deixou de ter função devido às ‘bobagens’ ditas por críticos musicais e pessoas em geral da sociedade. Aliás, o vocalista é conhecido por discursos fervorosos antes e durante shows ao longo de mais de 30 anos de carreira. Muitos deles estão compilados no You Tube e podem ser conferidos, inclusive legendados em Português, descritos como “rant”.

Axl Rose é assim, representa muito o estilo “ame-o” ou “deixe-o”. Difícil é encontrar alguém indiferente a ele, seja pelo alcance do nome GUNS N’ ROSES, a paixão dos fãs e quem odeia a banda. Ele ainda personifica a figura do rockstar, mesmo tentando não ser calhorda. Suas reclusões esporádicas desde 1994, feito um verdadeiro ermitão, comprovam a tese de que por vezes opta pelo isolamento diante da enxurrada de pressão ou críticas. Mas ele é assim! Goste um pouco mais ou odeie ainda mais...

Igor Hidalgo, 34, é jornalista e mora em Nova Odessa/SP (região de Campinas)

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